quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Descanse em Paz

Ainda passaram poucos dias e a estranheza desta ausência perdura. Dóris Graça-Dias, aguçada crítica literária colocou um fim à sua vida. A semana passada foi fatídica.


Descanse em paz.
Dóris Graça-Dias
1963 - 2014 Maputo - Lisboa

Quando Viajo






















Quando viajo
Entrego-me às horas,
Às pessoas,
Cidades
E ao acaso da vida.

Sigo a multidão,
Analisando-a de perto
Embrenhado no seu éter social
E cafrealizando.

Por instantes,
Perco a identidade
E absorvo o mundo
Sorvendo os pequenos detalhes
Do quotidiano onde estou.

Ao fim do dia,
Regresso a mim
Aprendiz do empirismo
E aportado.

Quando viajo
Esqueco-me de mim
Entrego-me ao Mundo
Vivo assim.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Debaixo do Tamanogonogo


Debaixo do tamanogonogo, a grande árvore à beira do nosso campo, faz-se o chá e discutem-se os próximos passos do projeto de reflorestação. “A vida atrai vida”, diz a Stephanie, ao reparar que é debaixo da grande e fresca copa que escolhemos passar muito do nosso tempo quando não estamos de mão na enxada. É uma árvore alta, uns 30 metros, ramos possantes e numerosos, que se desdobram em vários andares de madeira, folha e frutos. Esses, vermelho-vivo, mostram-se quando as cápsulas que os albergam atingem a maturidade, chegando aos 6 ou 7 por cápsula. As cápsulas, de um vermelho mais claro, enfeitam toda a copa, impossíveis de contar. A cada dez minutos, uma solta-se e chovem frutos suculentos e doces, pausas ideias do calor que faz no exterior da sombra. De todos os ramos onde batem antes de chegar até nós, é lançado o aviso e amortecimento da queda dos frutos, que pousam quase suavemente perto de nós, antes em jeito de dádiva do que ameaça às cabeças.


Enquanto aquece o chá, Siaka fala-nos das muitas histórias mágicas que tem para contar. Ele jura que de vez em quando vê os wokoulonis, seres que habitam tanto na floresta como na cidade. São criaturas de cabelo longo e ruivo, de um metro de altura. Não gostam muito de humanos mas cada um tem a sua personalidade, uns mais perigosos que outros. Se alguma coisa acontece de mal, muitas vezes são eles a causa.  Foi um deles que uma vez o fez cair da mota quando voltava de noite de Sideradougou. Os ferimentos com que ficou não foram curados com os medicamentos do hospital, apesar de vários dias de internamento. Precisou de mezinhas mágicas, confeccionadas por um curandeiro, para sanar as feridas enfeitiçadas. Também são estas criaturas que incomodam muitas vezes as vacas, que começam a tremer sem motivo aparente e depois ficam doentes. Mas o medicamento de plantas do mato que ele preparou para o seu gado previne que isso aconteça.
Outro tipo de criatura que por aí anda é a suposta mulher jovem que aparece de noite numa ponte em Banfora, de vestes compridas e de grande beleza. Não responde se lhe disserem boa noite. Debaixo das vestes, escondem-se pés de cavalo. Foi esta criatura que matou o seu irmão, que uma vez decidiu segui-la, impelido pela ausência de resposta. Tocou-lhe no ombro, por trás, para chamar a sua atenção, ao que a bela criatura se voltou e fez um som agudo com os lábios, provocando uma imediata dor de cabeça ao rapaz. Morreu dois dias depois.
Antigamente, estas e outras criaturas foram escravizadas pelos homens, e foi assim que se construíram as montanhas, escavaram os lagos, fizeram-se os vales. As criaturas rezaram a Deus para ficarem invisíveis aos olhos dos homens, ao que Deus concedeu e desde então vivem entre humanos sem serem vistos, ou pelo menos só quando o desejam. “Vem tudo no Alcorão!”, insiste Siaka, devoto muçulmano, que nunca sai de casa de manhã sem contar 10.000 das suas contas de terço islâmico.

De noite preparamos o acampamento, ali perto do Tamanogonogo. Siaka e Ali removem as ervas com as pequenas enxadas no lugar onde vamos dormir, enquanto o sol desaparece, alaranjando o mato à volta. Ramos de árvore colocados a jeito e montamos o mosquiteiro. Pode ser que não chova.
O chão é duro, e só temos um plástico a separar-nos dele. Siaka e Ali voltam para casa, para Banfora e Koutoura, respectivamente.  Ficamos no mato com Salif, o míudo que guarda as vacas de Siaka.

Salif está sempre a sorrir. Solta um riso tímido cada vez que seus olhos se cruzam com os nossos. Por vezes observa-nos enquanto fazemos coisas ou falamos com alguém, e depois fica atrapalhado quando devolvemos o olhar, e ri-se fechando ligeiramente os olhos. É um Fula, e “os Fulas são duros desde pequenos”, diz o Siaka, também ele Fula, ao referir-se à dureza das tarefas de Salif.
Dorme ao relento perto da fogueira, onde cozinha arroz, que enriquece um fio de óleo de cozinha para o tornar mais interessante. Só tem uma colher, por isso hoje comemos todos à mão, agachados à volta do prato e com uma lanterna na mão esquerda, aquela que nunca toca na comida. O pouco francês de Salif e o meu escasso Dioula complementam-se num diálogo rudimentar de onde saem algumas informações pouco claras, mas também muitos risos. Tem 19 anos e guarda estas vacas desde os 15. Está habituado à companhia do gado, que só responde à sua voz. Siaka, nessa tarde, tinha parecido quase triste com isso, “As vacas não conhecem o seu dono, apenas quem as guarda”. O gado é o centro da vida dos Fulas.
Enquanto comemos arroz com óleo e conversamos, as nossas lanternas vão chamando cada vez mais insectos, e adicionam-se assim ingredientes ao nosso arroz simples, agora pontuado de pequenos seres voadores que ficam agarrados ao jantar. Inútil tentar removê-los.
Sentimos algo a passar rápido pelos pés e pernas. Muito rápido, nem se percebe o que é. De lanterna apontada ao chão percebemos que é um dos seres mais temidos destas horas da noite: o “cavalo do escorpião”.
Parece-se com uma aranha de grande porte mas anda muito mais rápido e com as patas da frente no ar, como se nada lhe pudesse fugir. As mandíbulas fazem medo de tão grandes e ao contrário dos outros habitantes da noite, não mostra medo do fogo, chegando perto das chamas e repousando nas cinzas escaldantes. De nós também não tem medo, e passa-nos pelos pés, fazendo-nos saltar um a um, de receio das suas famosas mordeduras. Salif põe-se numa dança, a tentar que o seu pé termine aquela correria desenfreada, mas sem sucesso. O cavalo do escorpião acaba por se retirar para o mato, para nosso alívio.
Pouco depois é a hora de dormir, debaixo das estrelas e ao som das chamas e das milhares de rãs que cantam no charco ali ao pé. Surgem os zumbidos de mosquitos, esperemos que fora da rede. Uns passos mais longe, ainda se ouvem os frutos do tamanogonogo, que se lançam lá do alto, tocando nos muitos braços da árvore antes de se juntarem aos que já formam um tapete vermelho açucarado aos pés da grande árvore.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Abri a janela para deixar o tufão entrar

Já há alguns dias que nos estavam a avisar que naquela quarta-feira um tufão ia passar perto da nossa vila. Eu tinha chegado ao Japão há poucas semanas para fazer um estágio de três meses numa fábrica nos arredores de Quioto. Tinha ouvido umas conversas sobre o tufão mas não liguei muito - de certeza que não havia risco nenhum. Afinal havia tantas regras estranhas para tudo!

Até que chegou a quarta-feira. Só quando os altifalantes da fábrica anunciaram, alto e bom som, que por razões de segurança deveríamos ir para casa o quanto antes, me voltei a lembrar do tufão. Pelos vistos o dito estava a menos de duas horas de distância e isso queria dizer que nos tínhamos de despachar. No autocarro de volta ao dormitório reparei que o céu estava cada vez mais cinzento, mas não parecia que fosse mais uma tempestade... Estava bem mais preocupado com não ter nada para jantar. Pior: o mais certo era que os restaurantes da vila estivessem fechados. A nossa preocupação — minha e de mais dois amigos estrangeiros, meus colegas de estágio — era saber o que fazer com o tempo que faltava até ao fim daquela confusão. Entre piadas sobre o exagero de tudo aquilo, lá chegámos à conclusão que a primeira coisa que devíamos fazer, mal chegássemos ao dormitório, era ir à vila comprar umas cervejas e alguma comida. Afinal ainda tínhamos pelo menos hora e meia até o tufão chegar, e o supermercado mais próximo ficava só a 10 minutos de bicicleta.

E foi isso que fizémos: chegados ao dormitório fomos imediatamente buscar as nossas bicicletas. O contínuo e a sua esposa, sempre preocupados, imploraram-nos para que ficássemos. Diziam que a tempestade estava mesmo a chegar, e que era perigoso sair. Mas lá fomos, divertidos, pedalando. O céu estava a ficar cada vez mais escuro, com a chuva cada vez mais forte e o vento bem mais indeciso: começava a soprar com força, vindo de todos os lados. Lá chegámos à vila, onde encontrámos a maioria das lojas já fechada ou em vias disso, muitas com tapumes a cobrir as montras. Conseguimos entrar no supermercado por pouco, onde os empregados nos cumprimentaram com um sorriso nervoso, de quem se queria despachar depressa e não sabia bem o que estávamos a fazer ali. E foi aí que, pela primeira vez, percebemos que nunca devíamos ter saído do dormitório. Sem grandes hesitações comprámos o que precisávamos e saímos o mais depressa possível. O vento, a chuva, a cor do céu: tudo nos dizia que não deveríamos estar na rua naquela altura. Estradas desertas, os pedais pesados, as pontes que pareciam ziguezauear à nossa frente. Foram uns longos quinze minutos (ou meia hora, nem sei bem...) que demorámos até ao dormitório. Chegados lá tínhamos à nossa espera o contínuo, a sua esposa e alguns colegas; todos se riram quando entrámos,e alguém nos disse que por pouco não ligaram à polícia para nos irem procurar.

Devia faltar pouco menos de uma hora para o pico da tempestade chegar. Decidimos ir para a sala comum partilhar as cervejas e os pacotes de batatas frita que heroicamente, tínhamos acabado de resgatar da vila. Aos poucos a chuva lá parecia querer acalmar, e foi então que o céu começou a mudar de cor: nunca tinha visto uma cor tão bonita- o céu estava a ficar em tons amarelo-alaranjados - tudo aquilo parecia irreal. Só era uma pena aquela janela - alta, grossa, suja. Pior: a janela era feita de vidro reforçado com arame, o que em nada ajudava à visibilidade! Tinha que tirar uma fotografia a estas cores únicas - queria uma recordação do meu primeiro tufão por terras do Sol Nascente!

E foi por isso que resolvi abrir a janela. Mal rodei o puxador a janela fugiu-se-me das mãos, e ao mesmo tempo que deixou o vento entrar sala adentro aplicou-me, certeira, uma valente pancada na cabeça. Eu caí, desarmado (e desmaiado, acho), redondo no chão. Acordei um tudo nada depois, tonto, com os meus amigos a rir-se com tamanha proeza. E lá ficámos, a deixar o resto do tufão passar. Quanto à fotografia? Essa não ficou nada de especial - apenas mais um céu escuro, tremido. Infelizmente não tenho provas dos tons de laranja (e muito menos dos amarelos).

""""

Luis

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Gente Boa

Escrevo de Dakar, capital do Senegal, uma cidade aparentemente pacífica e talvez mais segura do que muitas cidades europeias. Paris, por exemplo, é mais violenta. Carteiristas, criminalidade, roubos violentos, ou o passado recente de convulsões nos bairros sociais, deixam-me a pensar como a arrogância dos países mais poderosos do mundo serve para espezinhar as nações mais pobres, propagandeando estes últimos como países de guerra. Quando se entra no Senegal, lê-se num enorme cartaz a antítese desta política. Nele li escrita em letras grandes e evidentes, a palavra "Teranga", expressão local que descreve exatamente o espírito acolhedor e pacífico dos senegaleses.

Já passara uma semana desde que cheguei a Dakar no camião de dois espanhóis, o Frankenstein, como o batizaram. Eles ficaram instalados na pousada Chez Soukeye, na Baía de Ngor, a zona de praias da cidade (uma espécie de Carcavelos lá do sítio!). Quando cheguei, contatei o primo de Bourama, um amigo senegalês que conheci no projeto de alfabetização de imigrantes, no Bairro Seis de Maio, e que me presenteou alguns contactos da sua família. Uma ajuda para o caminho. O seu primo Amadou morava em Cambérene, um bairro periférico de Dakar, numa casa simples de apenas uma divisão e uma varanda, onde guardava também a sua galinha de estimação. As casas-de-banho do prédio eram em átrios comuns e partilhadas pelos habitantes de cada piso. Ao sair do prédio pisam-se estradas de areia que ligam as ruas do bairro.

O canto onde eu pernoitava, acolhia um colchão vetusto e deslavado, no reduzido espaço sobrante da casa de Amadou, que era pequena mas viver lá era, para ele apenas mais um esforço até que a sua nova casa, uma vivenda num subúrbio bucólico de Dakar, estivesse construída. Com ela, pretendia iniciar um pequeno negócio hoteleiro, alugando os quartos a viajantes, à semelhança da casa onde os espanhóis do Camião Frankenstein ficaram. Depois de uma noite em casa de Amadou, percebi que seria difícil manter-me instalado por lá mais dias, e por isso volvi à zona balnear de Dakar. Para me instalar novamente com o grupo de espanhóis, oriundos do País Basco. Quando chegava àquela região, algo me fazia relaxar e sentir uma boa vibração. Talvez do mar, das ondas, do seu marulhar ou da vida despreocupada e da bonomia dos locais.


Depois de uns dias por lá, pesquisei por um "sofá" disponível na rede "couchsurfing" (surfar no sofá, traduzido à letra), e fui aceite por um rapaz americano. David, que estava a fazer uma investigação sobre a SIDA no país. À data que vos escrevo, já passaram cinco dias desde que cheguei, e posso contar-vos que já conheci os seus vizinhos, os seus amigos, mas não há sinal dele! Anda por Louga no norte do Senegal, a trabalhar no seu projeto. Mas ainda mais esperançoso do que ele me ter respondido positivamente na rede de hospitalidade, foi o facto de ele não estar em Dakar para me receber à data da minha chegada. Em vez disso, depositou a sua plena confiança num desconhecido, e deixou as chaves de casa com a vizinha da frente. Há gente boa no mundo.


Texto a ser incluído no livro de crónicas de viagens do autor, a ser lançado em breve.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Tomar o pequeno-almoço, não...

Misturar-me, envolver-me e fazer parte dos locais, é desde o início da viagem, um dos principais objectivos. Acordei hoje a perguntar-me se devia tomar o pequeno-almoço no hostel. Porque não ir à rua e ver como era a realidade? Decidido! Aliás, tomar o pequeno-almoço, não... “Tomar o Mata-bicho”, como se dizia em terras moçambicanas. 1
 
Na rua recomendaram-me ir até ao Mercado Janeta. Mas às oito da manhã muitas das barracas dos comerciantes estavam ainda fechadas. Enquanto ia perguntando as direcções para a zona da restauração, sorvia à distância os aromas da cozinha local. Cada vez mais perto, cheirava-me a folhas de mandioca a cozinhar, e deixava-me inebriar pelo amendoim a tostar ou pelo côco fresco ralado. Os almoços ali preparavam-se desde cedo, pelas manhãs fora.

Por vezes sentia que ali o tempo biológico era outro. O sol regia o povo de um modo mais explícito e vincado do que aquilo a que estava habituado. Assim que era avistado com os seus raios, com ele pululava a vida da cidade, e quando se baixava sobre a baía de Catembe, os habitantes de Maputo recolhiam a casa.

Num dos poucos quiosques abertos àquela hora, partilhei o balcão da barraca de zinco com um jovem moçambicano. Bem aparentado, de camisa, com óculos e uma grande pasta de trabalho à inspector forense, pousada sobre o balcão. Eram 8h30 da manhã e ele bebia um garrafa de litro de cerveja preta moçambicana da marca Laurentina. O seu nome era Nélson, com cerca de 30 anos e estudara jornalismo. Casado e pai de dois filhos. O seu empregador era uma empresa de minério sediada no Zimbabué mas com um escritório de representação em Moçambique, onde ele desenvolvia a sua actividade profissional durante o dia.

Por bem, quis juntar-me a ele e replicar a sua ementa, enquanto conversávamos sobre a vida. Uma garrafa de litro de Laurentina às oito e trinta, em conjunto com uma familiar sandes mista. Foi o meu pequeno-almoço deste dia, aliás... o meu mata-bicho, em mais um dia no continente africano.




1 Em alguns lugares de Portugal também se usa esta expressão, derivada de matar a fome ou saciar o jejum da noite. 

domingo, 20 de abril de 2014

Palco Inesperado

No seu périplo pelo mundo, Corto rumou a Melbourne, Austrália, terra que à época recebia milhares de imigrantes todos os dias vindos de uma Europa em conflito. Na primeira noite, Corto buscava diversão, entretenimento e copofonia, nesta cidade que se construía no início do século XX. Deambulava com um grupo de jovens que conhecera no Hotel.

Num "pub" nas imediações, acontecia uma noite de música ao vivo com uma banda cujo apenas o nome assustava Corto: "Kill the Queen". O ambiente era soturno, mal iluminado e respirava-se um espírito resistente e anarquista naquele local. No palco tocava um conjunto de "folk" australiano. A sala era pequena e Corto sentia-se observado. As suas vestes de marinheiro, cuidadas e limpas destoavam das roupas do restante público. Calças rasgadas e cabelos compridos por lavar.

A banda fez uma pausa, e com o seu grupo de amigos à volta, no lado da plateia, Corto começava a cantar uma música de folclore celta da Cornualha, terra do seu pai, também ele marinheiro. Às tantas, reuniam-se já cerca de dez pessoas à sua volta. No final aclamaram-no com palmas, e um local de Melbourne, Ryan, muito à vontade no "pub", onde conhecia toda a gente, disse ao ouvido de Corto: "És o próximo a subir ali." - apontando para o palco - "Prepara-te."

Ryan falou com a banda, e de repente ouviu-se: "Sabemos que está aqui um excelente cantor na audiência. Pedimos que venha até ao palco mostrar-nos os seus dotes vocais!"

Corto bebeu um último gole de whisky e subiu até às luzes da ribalta. Perante a audiência não se intimidou e cantou de improviso, velhas canções dos seus antepassados. No final, brindaram-lhe vezes sem conta, até abandonar o "pub".