domingo, 11 de janeiro de 2015

Je Suis Charlie

Em solidariedade com os familiares e amigos das vítimas do ataque hediondo e injustificável que aconteceu em Paris.

Claro que os muçulmanos não pensam e nem actuam da mesma forma que os radicais que perpetraram esta barbárie. Neste momento evitemos as generalizações.






domingo, 4 de janeiro de 2015

Dois Poemas - poesia de viagens



I


Dia de chuva em Lisboa,
Dia de Carnaval no Mundo
E eu com vontade de viajar à toa
Aprender, conhecer-me a fundo.

Quando saí de casa, em mim não acreditaram.
Viram-me a sair e depressa exasperaram.
Antes de fechar a porta, desejaram-me boa sorte
E esperaram também que passasse depressa esse corte.

De comboio rumei a Foros de Amora
O meu destino por agora.
Quando lá chegado ergui o polegar
E logo na estação de serviço comecei a indagar.

Até que um casal,
Que voltava para Espanha
Me deu boleia,
Sem de mim suspeitar de qualquer manha.

Próxima paragem: Andaluzia
Com uma paragem rápida em Sevilha.
E não sei se por azar ou por sorte
Nesta cidade tornei-me mais forte.

Quando um grupo de agentes me apanhou desprevenido
Encostou-me à parede e deixou-me em sentido.
Revistaram-me de alto a baixo e pediram-me a identificação
Fiz-me difícil e logo lhes disse que não.

No final de contas, eu estava legal
Pois sou um viajante do vizinho Portugal.
Ainda me perguntaram para onde é que eu ia
E no final um deles para a viagem me advertia.

Chegado ao destino, constato o que se diz:
Que em toda a Espanha, o melhor Carnaval é o de Cadiz.
Com os hotéis cheios e sem contactos ali,
Só me restava erguer o polegar assim.

Aguardo, pergunto e não desisto,
Até que me pasmei com o que tinha visto.
Uma jovem donzela com um olhar de anjo
Maquilhada, espanhola, conquistou-me com o seu encanto.

Diz que me deixa no seu conforto
mas apenas se fizermos um acordo.
Vou ter que contar ao seu namorado
que venho da parte de um outro seu contacto.

Aceitei, até porque estava de passagem
e sem sítio onde dormir.
E no final da estadia, ela levou-me à paragem
para o meu caminho prosseguir.

E se alguém um dia me perguntar,
o que fui fazer a Tarifa
Posso dizer que lá fui,
e lá me saiu uma rifa

Hospedado pelo Couchsurfing
num Hostel em construção
Enquanto trabalhava
Conheci o fundador de um site de jogos de viciação

E lá tive conversas de inspiração
De que somos capazes mas que achamos que não.
E que é esse mesmo sonho que nos faz alcançar
E do meio do nada, fazer o mundo girar.






















II


Era a alma e a dor

de ver o mundo no seu devir
no limbo indiscriminado do improviso, inconsciência e sentir.
Era a adrenalina da mente social.

Para onde rumamos,

quem nos guia,
que valores preservamos
e nos seguram dia-a-dia.

Não se trata de nada de facto.

E na raiz da questão.
não pretendo nada
analisando bem a intenção.

Deixar escrito,

aliviar o sentimento,
procurar identificantes.
Ser amado.

Ainda mais?

Dizem-me que é a maior necessidade do ser humano.
Muito agradeço aos meus pais.
A eles, todos os meus dias e não a quem nos governa neste país.

Terra do sol poente,

na testa da Europa, outrora.
Agora marchados por cima, agredidos pelo norte,
vilipendiados e sacudidos pelas instituições internacionais.

Que sentido?

Que humilhação?
Bandidos, burros, banalidades
Nós sempre sujeitos às causalidades.

Económicas, sociais

Às dinâmicas do planeta
O que será deste recanto
dentro de vinte, trinta anos?

Num mundo

agora inexplicável
prevendo-se com mais água
e menos comida per capita.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mensagem de Angola

Numa conversa no Skype, entre Lisboa e Luanda, a 8‎ de ‎julho de 2014 pelas ‎23‎:‎50.

João:
Então man,
Tudo fixe aí na Banda?

Rodolfo:
Ainda me estou a ambientar.
Mas yap, está-se bem.
Esta zona é OK, o trânsito é normal e estamos na estação do Cacimbo [1].
A temperatura é mesmo fixe.
Aqui há supermercados e tudo o que temos aí.
Quanto à temperatura está por volta dos 20º C, de dia e de noite.

De resto ainda estou a começar a perceber o potencial disto.
O único contacto com a Angola de verdade, é através dos motoristas.
Estou à procura de um bocado de animação cultural.
Ainda não me habilitei a sair fora dos condomínios.
Amanhã vou dar uma volta pela rua para ver.
O tempo passa rápido mas nos fins-de-semana quero ver se conheço um bocado de Angola.
Estou à procura de cursos de cozinha Angolana.
Durante a semana é só casa-trabalho.
O que for, a ver se me inscrevo em alguma coisa ao fim-de-semana para conhecer pessoal.
Os colegas da empresa são porreiros.
Mas ao que me parece ficam muito pelas piscinas dos condomínios durante o dia e restaurantes e discotecas à noite.
Queria conhecer aí uns Angolanos de raiz.
Tenho de ver se conheço alguém com gostos mais parecidos com os meus.
Mas os motoristas parecem-me gajos muito porreiros, ando a falar com um.
De vez em quando vamos falando.
Já consegui falar um bocado sobre a ocupação Portuguesa.
O gajo nessa altura ainda era miúdo mas já me descreveu umas cenas hardcore.
Episódios tristes da brutalidade colonialista portuguesa.

Abraços,
Rodolfo
















domingo, 2 de novembro de 2014

Mitras do Deserto

À beira da estrada no Sahara Ocidental, depois de várias tentativas frustradas, um carro parou para me dar boleia. Já me havia despedido de Lisboa há um mês e de repente ia passar a fronteira para um país onde não havia nada, excepto areia e o Atlântico.

Até lá chegar só ouvia histórias contadas em francês, de que havia um manancial de minas no troço de 5 km, que separava os dois países. Nessa área não havia estado, polícia nem lei. Era a terra de ninguém.





















De repente, o nosso carro atascou na areia, e no instante a seguir, três carros surgiram das dunas, carregados de pessoas com turbante. Gente do deserto. Só me imaginava no filme Madmax.

Apoderou-se a tensão do nosso carro e o pôr-do-sol só agudizava ainda mais as coisas. Saí da viatura e falei com eles em francês, para então perceber que ali estavam apenas para fazer negócio. Argutos, depressa perceberam o problema e vieram para nos tirarem da areia.

Assim foi, mas a mudez do instante, as minas e a ausência de estado tornaram tudo imprevisível.
 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O que se passa em Portugal?

Notícias, pessoas, conversas. Passeios no Jardim da Estrela, ao centro de Lisboa. Um frenesim, melancolia e estática. Ao ver as notícias, as pessoas e o mundano, tudo continua igual. Mas cada dia que passa sei que estou certo. Sei que a governação deste país é cronicamente inviável, difícil e muito desempoderadora. 

Há uns anos atrás, numa altura em que visitava uma quinta nas serras algarvias, um alemão cientista auto-didacta (quer isto dizer que desenvolvia tecnologia de plasmas na sua pequena casa na montanha!), e lá a viver há mais anos do que os que estou vivo, me dizia: “Vocês portugueses têm um problema de confiança. Têm medo de conseguir!” E sim, sem dúvida. Cada vez mais concordo com ele. Temos que nos impor. E sim, cabe-nos mudar a situação atual. É o desafio da nossa geração, de romper com estas teias de mendicidade europeia, a que nos temos agrilhoado ao longo das últimas décadas. 

As pessoas são o essencial em Democracia. Relembrando a etimologia desta palavra, temos “Demos” e “Cratos” em grego. O poder do povo. Mas sabemos que se passa o contrário. Um povo, uma classe política e um país subjugados ao dinheiro, ao lucro, à necessidade de as empresas criarem o capital, do qual, claro está, apenas uma ínfima parte é para pagar os rendimentos dos assalariados. O grande problema disso é que é negligenciada uma importante parte da equação: as pessoas. Os portugueses não são empoderados. Porque poucas vezes se lembram deles. A começar pelos políticos, depois a continuar pelos próprios portugueses, que poucas se vezes se lembram uns dos outros, enquanto grupo, enquanto colectividade, enquanto povo soberano do seu destino, e claro, porque muitas vezes, nós mesmos, não nos lembramos de nós também. O tempo, o dinheiro, a família, os amigos, o trabalho, os superiores, as notícias. A vida pode dar-nos a felicidade, mas a quantos portugueses é que ela bate à porta?

Neste momento, a nós portugueses, não diria “Sim, podemos”, até porque essa linha tem direitos de autor, e para copiar, os espanhóis já usaram isso num partido da sua sociedade civil. Diria antes, “Portugueses, do que é que estamos à espera?!!!” Não temos que seguir fulano ou fulana. Apenas temos que nos seguir a nós mesmos. Dentro de nós temos a resposta a tantas questões. É a nossa inteligência tanto racional como intuitiva que deve reger as nossas acções e não a de mais ninguém. Se isso está a acontecer, é porque o poder não está desagregado, e é porque a nossa opinião está a ser posta de lado, nem sequer indagada.

Nos dias que correm, o grau de instrução dos jovens, mesmo ao nível do ensino obrigatório, permite analisar e decidir o quotidiano com um grau de conhecimento muito acima do que havia há algumas décadas atrás em Portugal, na Europa e no Mundo. No passar dos dias, vão-nos pedindo coisas que não achamos correctas. E claro que há coisas e coisas, e temos que ponderar o seu real valor. Mas não podemos aceitar o que vai para além do razoável. A tua voz conta. E a voz do teu pensamento. A frustração de ir para casa com ideias que não foram expostas ou debatidas, não vale a pena, e na espuma dos dias, degrada este país. Levantemos a nossa voz. Pensamento já o temos. Confia em ti.

Foto de Pete

Foto com licença Creative Commons para Pete - www.flickr.com/photos/comedynose/4643185598

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Sou emigrante. Por vários motivos, um dos quais porque sou uma "nómada sedentária". A frase "wherever you go, there you are" sempre me fez sentido, mas agora ainda mais.
Sou portuguesa, está-me nas moléculas o sal do mar, o clima ameno, todos os "inhos", o bacalhau, o cozido, o bom vinho, os pastéis de nata, o verde do Minho, o azul cinza do Tejo, a planície do Alentejo, a ria Formosa, as cores dos Açores, os queixumes, os brandos costumes, os cravos. Eu quis negar, mas sou.
 As razões que me levaram a partir estão na minha genética, literalmente. Fez-me partir a pacatez do povo que nunca pegará em armas para fazer revolução. Os meus genes fazem-me ir a manifestações, escrever reclamações, ter raiva, ter vontade de pôr bombas. Os meus genes ditam-me a completa inapetência para usar a violência mesmo contra os canalhas que continuam impunemente a estragar a vida e o país. Os meus genes ditam-me a aventura, a capacidade de adaptação, a delicadeza, a saudade.
Já não penso que somos desorganizados, sei agora que Portugal é um país limpo, "arranjadinho", lindo. Sei que a nossa maior qualidade é a nossa maior fraqueza: somos tolerantes.


domingo, 5 de outubro de 2014

Do Ribatejo até à Ásia

Um grupo de amigos viajantes chegou à Arménia, depois de uma valente tirada velocipédica, desde a Benedita no Ribatejo, até à capital arménia Yerevan. Aqui abaixo fica partilhado o vídeo com os melhores momentos. E claro, deixo os parabéns pela proeza! Agora, parece que depois do Cáucaso, seguem-se os Himalaias, como próximo destino, segundo as últimas informações recolhidas...
Boas viagens!