domingo, 20 de setembro de 2015

Novidades do Árctico

Da janela do Fairmont Chateau Hotel vejo o Parlamento ao nascer do sol. Há 11 dias que não vejo noite, a folha de maple na bandeira lá no alto da torre sobressai e apercebo-me, estou no Canadá. Foi tudo tão rápido, tão de repente tão intenso que só agora a observar esta vista percebo, sim, estou no Canadá, sim, estive na Gronelândia. É difícil e longo explicar tudo o que se passou nos últimos dias, foi tanta coisa e tão impactante! Mas vá vou tentar em poucas palavras. Recebi um mail da Lindblad a perguntar quem está disponível para uma Expedição ao Árctico. Eu disse: "Eu estou", pensando que nunca me iam chamar, mas olha 6 dias depois lá estava eu no avião rumo ao Canadá. O mais difícil de tudo foi arranjar roupa para ao Árctico em Agosto em plenos saldos de verão, num país onde a neve nem é bem à séria, corri todos os centros comerciais e mais alguns em Lisboa e arredores, lá consegui compor uma mala mais ou menos e lá fui eu. borradinha de medo... Este salto é bem maior que a minha perna.

Mas afinal o que é tudo isto? A Lindblad faz cruzeiros de expedição ou seja é como se fossemos num barco do Jacqes Cousteau acompanhados do Tio Attenborough. A bordo vão 148 passageiros, 80 crew e uns 20 staff. O staff inclui fotógrafos National Geographic, mergulhadores e naturalistas (biólogos, historiadores, oceanógrafos, arqueólogos, antropólogos etc...). A ideia é explorar um destino tal como se vê nos documentários, ultrapassando todos os limites para produzir uma viagem de sonho.

Ursos polares no Árctico - Foto de Madalena

Desta vez o sonho era o High Arctic e atingir pelo menos os 75º Norte. Mas como em qualquer expedição, imprevistos acontecem e o imprevisto desta vez foi que o mar gelou. Gelou de tal maneira que o ponto de origem e o fim da viagem (Iqaluit), assim como metade do percurso tiveram de ser alterados. O Barco apesar de ser apropriado para navegar no gelo, quebrar plataformas e explorar estas águas não podia ir ao porto de Iqaluit. Então a Lindblad o que é que fez? Podia ter cancelado a viagem pedir desculpas aos hóspedes e dizer que por questões climatéricas a viagem não podia acontecer. Poder, podia mas não era a mesma coisa. Então... Reservou um avião e levou toda a gente para outro aeroporto, charter para todos os hóspedes, e o itinerário mudou mas a viagem continuou. Isto implica uma logística dos diabos, como por exemplo 40 000 dólares extra em combustível, aviões extra, voar a migração a outro destino para tratar dos documentos todos, etc., etc. Mas a expedição não seria cancelada...

Assim sendo voámos de Ottawa para Kangerlussuaq, na Gronelândia, e daí começou a expedição. Viajamos entre os Fiordes, Glaciares e Icebergues da Gronelândia e do Canadá, no Árctico Norte. Visitámos vilas de Inuits (por nós conhecidos como esquimó mas cujo nome correcto deste povo aborígene é Inuit que significa "as pessoas" em Inuktitut), ruínas de vikings e ruínas de acampamentos de verão de Inuits decoradas com ossos de baleias e com muitos vestígios arqueológicos da sua presença no deserto do Ártico. Não foi das viagem com mais vida selvagem (fiquei a aguar umas belas baleias e orcas) mas deu para ver muita coisa... Em cada avistamento era impossível esconder a excitação, a emoção o êxtase, afinal não é todos os dias que se vê uma morsa a apanhar banhos de sol ou uns ursos polares a dormirem a sesta...

Como sempre a expedição foi o máximo, correu tudo bem e felizmente não tive que disparar nenhum tiro! Por questões de segurança o staff (que tenha carta para tal) leva uma carabina e uma pistola, para ocaso de se dar um encontro inesperado com um urso polar. juro que quando tirei a carta de caçador jamais imaginava que essa fosse a razão que me levasse ao Pólo Norte... Ele há coisas nesta vida do arco da velha! Histórias e momentos da viagem há muitos para contar mas desta vez não me vou alongar mais, deixo aqui apenas um pequeno best off destes dias que até hoje acho que não acredito que existiram... OOO ÁRRCCTTIICCCCOOOO ÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ LLINNNNDDDOOOOOOO!!!!

sábado, 25 de julho de 2015

A X de Bissau

O espaço de entrada é aberto, sem tecto, pintado em tons laranja e os assentos de madeira também são cobertos por estofos da mesma cor, onde nos podemos sentar e ver as estrelas, uma palmeira  recortada no céu estrelado e um X lá ao fundo depois do balcão. A música é de fusão com os ritmos africanos a dar o mote. Isto cá fora na entrada. Depois passando por um alpendre temos acesso à grande pista de dança, onde a decoração não deixe esquecer que estamos em África. Mas o que dá personalidade à X é mesmo este espaço ao ar livre formando um pátio. Isto e as pessoas que a frequentam. Afinal também são as pessoas que fazem a casa.

Na X conseguimos encontrar a maior colecção de estrangeiros da Guiné-Bissau e talvez de toda a África Ocidental, portugueses e não só, funcionários de embaixadas, empresários de sucesso que agora chegam porque a Guiné-Bissau está na moda, policias que fazem segurança às embaixadas, médicos, pessoal da saúde, comitivas de políticos em digressão, diplomatas, economistas, agentes de desenvolvimento, auditores, cooperantes de todas os matizes, funcionários de ONG's, expatriados e africanistas. Um mundo que nunca se esgota cheio de permanente novidade, a merecer decerto um estudo etnográfico aprofundado.




Os mais variados  organismos internacionais presentes em Bissau, e são muitos, renovam as equipes a todo o momento refrescando-as com gente que chega para render os que partem. Ainda mais agora que a ameaça do Ébola leva as instituições internacionais a reforçarem as suas equipes em permanência na Guiné-Bissau. E claro, as caras repetem-se ou renovam-se a um ritmo impreciso e imprevisível. Só mesmo vendo a cada semana. Há festas de recepção aos que chegam e festas de despedida para os que partem organizadas pelos respectivos colegas. Na X há sempre novidade.

O espaço aberto da entrada facilita a conversa e o convívio. Na X ouvem-se histórias fabulosas. A comunidade portuguesa está lá excelentemente representada e se dominar a língua de Camões, tem mais  de meio caminho andado para fazer amigos na X.  

A X é uma discoteca de brancos embora também lá se possam encontrar muitos negros. Uma discoteca fina onde a clientela principal são os estrangeiros, sobretudo portugueses e lusófonos. Faz lembrar o café do Rick no filme «Casablanca». Estão todos lá.

AP.          

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Um Dia em Tetouan

Levantou cedo. Uma janela entreaberta depois de um cigarro tardio deixou entrar logo ao alvorecer, o som da chamada à oração difundido pelos altifalantes da mesquita, acordando assim o desprevenido viajante. Desce agora a Avenida Mohamed V, de mapa na mão, não vá falhar o local onde é necessário voltar à direita para então rumar à Gare «Routière» de Tânger. O trânsito é intenso àquela hora da manhã. Repara como alguns peões se aventuram a atravessar por entre os carros, que teimam em não abrandar mesmo nas passadeiras, mas que acabam por parar no último instante ou contornar os assustados transeuntes, que muitas vezes aguardam pela chegada de companhia que lhes permita avançar em pequeno grupo e cruzar mais facilmente a larga avenida. Não há que enganar. Só pode ser ali. Um imenso edifício rodeado de dezenas de autocarros. Entra e procura as bilheteiras mas não as encontra no meio daquele turbilhão de gentes arrastando sacos e malas. Entre os passageiros que se entrecruzam ouve então pregões gritados compassadamente: «Rabat, Rabat, Rabat», «Chefchaouen, Chefchaouen, Chefchaouen», «Tetouan, Tetouan, Tetouan». «Tetuan?» pergunta-lhe um jovem agarrando-lhe o braço. Responde que sim e rapidamente sente-se conduzido por entre a multidão até uma porta que dá acesso a um pequeno átrio cheio de bilheteiras dotadas de corrimões metálicos destinados a orientar as filas que se deveriam estar a formar mas que estranhamente não existem. Não se orientaria ali com os letreiros escritos em árabe mas também não precisa. O jovem leva-o até um homem sentado num dos corrimões diante de uma bilheteira vazia. Cinco «dirhams» e recebe um pequeno bilhete completamente escrito em árabe. E agora? Os autocarros às dezenas que estão estacionados no exterior não têm placas indicativas, nem números ou sequer letreiros, nisso já tinha reparado. Mas é para estas coisas que servem os guias, mesmo que de ocasião como é o rapaz, que lhe volta a agarrar no braço e o conduz gare fora até um dos muitos autocarros estacionados. No fim a gorjeta claro. Tem de ser. Mas que preciosa tinha sido a ajuda, pensa o viajante enquanto sobe para o autocarro. O veículo não é nada novo, lá isso não. Mas não deixa de ser confortável mesmo com os estofos já gastos e nalguns sítios rasgados. Há ainda muitos lugares vazios. Mas os passageiros vão chegando. Um homem vestido de forma tradicional entra e vai distribuindo uns livrinhos pelos passageiros. A ele não, que se topa à légua que é estrangeiro e seria incapaz de ler o que quer que seja escrito em árabe. Depois é a vez de um vendedor de perfumes e bugigangas. Pincela a mão de cada passageiro com uma espécie de um «baton» que deixa no ar um perfume refinado. Este não discrimina os estrangeiros, pensa enquanto aspira a essência com que também foi presenteado. Em poucos minutos o autocarro enche e arranca. Atravessa primeiro os arredores de Tânger, bairros novos de casas baixas com árvores nas ruas depois a Estação Ferroviária onde faz uma primeira paragem antes de se fazer à estrada. Uma hora é quanto demora a percorrer a distância entre Tânger e Tetouan numa estrada asfaltada e em boas condições. O viajante desfruta da paisagem. A princípio aplanada para depois entrar na montanha verdejante e coberta de árvores. Da janela deixa-se encantar pelos burros albardados que esperam pacientes os donos na beira da estrada, pelos pequenos mercados, por uma bancada que vê cheia de «tadjines», a rainha das peças de cozinha marroquina, em variados tamanhos. Fica com pena de não puder descer e comprar uma de barro simples, tão diferentes das decorativas que se impingem aos turistas nas grandes cidades.

Vista do centro de Tetouan - de Anassbarnichou2 - Licença CC BY-SA 3.0

Tetouan surge ao longe. Casas brancas descendo numa encosta rodeada de nuvens baixas, que a Primavera em Marrocos prega destas partidas, e hoje vai chuviscando de quando, em quando. O seu nome é de origem berbere, essa língua antiga do Norte de África, e significa olhos, olhos de água. A cidade tem origens muito antigas, não muito longe dali, foram encontrados vestígios fenícios e do Império Romano. Ao longo dos tempos muitos povos passaram por Tetouan ou não estivesse tão próxima como está do Estreito de Gibraltar. A cidade funcionou durante séculos como centro de ligação entre o norte de África e o sul da Península Ibérica que estiveram politicamente unificados até à ao final da Reconquista com a queda de Granada em 1492. Depois da Reconquista muitos dos expatriados refugiaram-se em Tetouan tendo a ultima vaga de muçulmanos vindos de Espanha chegado no ano de 1609 expulsos em massa pela Inquisição. Também expulsas pela Inquisição ali chegaram importantes comunidades judias no século XV provenientes de toda a Península Ibérica. A cidade manteve sempre intensas trocas económicas e culturais com o sul de Espanha e foi protectorado Espanhol de 1912 até 1959 altura em que foi finalmente integrada no Reino de Marrocos. Pensa nisto o viajante quando se aproxima e começa a entrar nas primeiras ruas da cidade, ruas modernas ladeando o rio que corre num vale verdejante situado aos pés da montanha, coroada desde a meia encosta, pelo vasto casario largo e branco da cidade antiga. O terminal rodoviário de Tetouan, onde desce, é um espaço organizado e de planta moderna. Um edifício não muito diferente de um terminal rodoviário de qualquer pequena cidade na Europa. Surpreende-se com os letreiros bilingues, escritos a verde sobre um fundo branco em árabe e em francês. Repara na Sala de Orações, mas não consegue ver como ela é por dentro, isolada que está dos olhares dos curiosos. Mesmo assim, quando a porta se abre para dar entrada a um crente em viagem, repara que no chão existem espaços desenhados e delimitados para a oração. Outra surpresa, são as casas de banho. Com apenas uma torneira perto do chão, um balde e uma bacia sanitária à turca fixa ao solo. E não fossem estes pormenores, ou as gentes que por ali circulam, e o viajante poderia sem dificuldade achar que estava na Europa. Mas não está. Disso se vai aperceber rapidamente quando depois de esperar na fila de táxis consegue entrar num e não é capaz de se fazer entender com o taxista. Nem francês, nem inglês. Talvez tivesse sido mais bem-sucedido se tivesse utilizado o Espanhol ou o Português mas tal não lhe ocorreu na hora e na atrapalhação. Afinal na cidade falou-se espanhol até aos anos sessenta e isso claro deixou marcas. Faz uma segunda tentativa que resulta igual. Só à terceira tentativa se faz entender e combina o preço da viagem, como todos os roteiros feitos para turista aconselham, roteiros esses, onde aprendeu também a distinguir os «petit táxi», das viagens urbanas dos «grand táxi», que fazem os percursos mais longos entre cidades. Combinado o preço, apenas 10 «dirhams» o equivalente a um euro, arranca rumo ao centro da cidade. Percorridos apenas algumas centenas de metros o simpático taxista acena a uma mulher e pára. Uma amiga? Uma cliente? Fica sem saber. É hábito em Marrocos os táxis recolherem vários passageiros durante o percurso. A mulher entra, cumprimenta e para surpresa do viajante fala um francês perfeito. Logo lhe dá as Boas Vindas a Tetouan e a Marrocos e enquanto conversa traduz ao jovem taxista o que vai sabendo. Não é a primeira vez que uma coisa assim acontece. Se os jovens em geral dificilmente entendem uma frase em francês, as pessoas de mais idade e de mais elevada escolaridade falam-no com fluência. As línguas oficiais de Marrocos são o Árabe numa versão própria e o Berbere minoritário em vários dialectos. O Francês é ainda bastante usado nas instituições governamentais e no mundo dos negócios embora esteja em declínio como o viajante irá perceber mais adiante quando visitar uma livraria repleta de títulos escritos em árabe e se deparar com uma única e exígua prateleira com não mais de trinta títulos em francês, quase todos clássicos.

No caminho, sempre a subir, ainda consegue ver uma manifestação de sindicalistas com uma pequena faixa desfraldada junto à estrada mas fica sem saber o que reivindicam. Marrocos é uma monarquia onde alguns se queixam por vezes de ataques à liberdade de expressão e a questão nunca resolvida do Saara Ocidental ocupado permanece como uma nódoa sobre o país. O táxi deixa-o mesmo no centro da cidade e ruma à Medina, a cidade antiga, classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Antes passa por uma larga avenida pedonal que vai desembocar na Praça Hassan II onde se encontra um dos acessos à Medina. A avenida está repleta de lojas modernas e cafés com esplanadas. Os edifícios são altos e muito bem cuidados alguns com marcas de um estilo muito semelhante aos que se encontram em todo o sul de Espanha. A Praça Hassan II é dos anos oitenta e nela se encontra o Palácio Real. Sabe o viajante que a construção desta praça foi feita sobre os escombros da antiga Praça Feddán, local de reunião emblemático da cidade, e que o imponente Palácio Real ocupa o espaço onde estava o Alto Comissariado Espanhol porque a História tem destas coisas e o monarca quis ao mesmo tempo apagar os traços do anterior poder colonial e algumas veleidades autonómicas que a região sempre teve. Aqui ao contrário do que viu em Tânger os turistas são poucos e o assédio de improvisados guias é nenhum. Por isso dá uma volta descansado pelo mercado, o «souk», de uma das laterais e aproveita para comprar um saquinho de morangos não sem antes provar dois que lhe foram oferecidos pelo simpático vendedor. Estavam lavados sim, e mergulhados em água numa bacia imensa. E inflige assim aquela regra básica que houvera aprendido: Cozido ou descascado, mas dai não lhe virá nenhum problema e os morangos eram realmente magníficos e vieram mesmo a calhar antes de se aventurar na Medina.

A Medina ou cidade antiga a que se acede a partir desta praça é um vasto e labiríntico espaço de casas baixas, imaculadamente brancas e ruelas estreitas cercado por uma muralha com cerca de cinco quilómetros de extensão e apenas sete portas de entrada. Aventura-se o viajante a entrar por ali adentro sabendo de antemão que se irá perder mas não se preocupa agora com isso. Avança nas ruelas que se bifurcam sinuosas e espreita as lojas, perde-se na imensidão dos produtos expostos, desfruta dos odores e das cores das frutas frescas, dos legumes, das comidas, ofusca-se com o brilho dos metais e das joias expostas, com os objectos de couro e madeira e vai reparando nas portas verdes, nos ladrilhos policromos, nas coberturas colocadas sobre as ruelas que cortam o sol, nos artífices trabalhando nas soleiras das portas dos seus estabelecimentos, nos arcos das casas que atravessam por cima das ruas e formam aqui e ali pequenos túneis que tem de transpor para chegar a novas ruelas que outra vez se bifurcam e derivam a todo o momento noutras sempre iguais e sempre diferentes, algumas com degraus, outras com fontes, abrindo-se em novos recantos a cada esquina. E com isto logo se perde e atravessa sem perceber o «Mellah», o antigo bairro judeu onde as ruas são rectilíneas e as pequenas praças quadrangulares e descobre ainda, quase por acaso, uma pequena mesquita isto enquanto deambula por entre o bulício de vendedores e habitantes na sua maioria vestidos com a tradicional «djellaba», uma espécie de robe largo que chega até aos pés com mangas compridas e um capucho largo que termina numa ponta em bico. E de tanto ver era certo e sabido que se perderia. Admite agora que deveria ter seguido o conselho, que não se deveria ter aventurado na Medina de Tetouan sem a ajuda dum guia. Agora só perguntando. É o que faz pois não tem outro remédio. Depois de muitos enganos e perguntas lá consegue encontrar a saída e chega cansado mas feliz à grande praça de onde tinha saído horas antes. Nada melhor que descansar antes do regresso a Tânger, onde se hospedou e tem cama e mesa à espera. Escolhe um café com esplanada, pede um chá de menta e fica ali a olhar para quem passa. Já não estranha que no café só estejam homens porque a isso já se habituou. Nem estranha as diferenças nos vestuários das gentes que atravessam a rua. Porque se muitos usam o vestuário tradicional, outros vestem-se como em qualquer cidade da Europa. E se é verdade que a maioria das mulheres cobre os cabelos com um véu também é verdade que outras, sobretudo jovens, ostentam livres o seu cabelo ao vento.

Antes de partir ainda vai entrar numa livraria. Não é grande, mas é bonita com estantes em madeira antiga. Deve ser sem dúvida do período colonial. Perde-se entre os milhares de títulos expostos todos em árabe. Rebusca, vasculha, olha e não encontra nada em francês, espanhol ou inglês. A livreira que o tinha saudado à entrada depois do seu sonoro «Bonjour» é uma mulher de meia-idade de cabelo coberto por um véu e um vestido que lhe cobre todo o corpo e os braços, como os que a maioria das mulheres marroquinas usam. Aproxima-se dela e procura por títulos em francês. A mulher indica-lhe num francês perfeitíssimo uma pequena prateleira numa lateral próxima da entrada. Não mais que trinta livros. São quase todos clássicos franceses. Repara no «Le Petit Prince» que já tinha visto numa magnífica versão em árabe, mas de autores marroquinos só encontra um livro de poesia de um autor radicado na Bélgica e um estudo sobre as migrações no Mediterrâneo. E fica preocupado com o futuro da língua de Molière naquela parte do mundo. Ainda encontra um jornal bilingue em árabe e francês mas pouco mais. Do passado colonial, tirando a arquitectura, fica com a impressão de não restar muito hoje em Tetouan. E já dentro do táxi, de regresso, enquanto se despede da cidade, vai meditando na riqueza que o encontro de povos e culturas criou nesta cidade que foi durante séculos o entreposto entre o norte de África e a Europa. A Pomba Branca, como é conhecida a cidade, resplandece ao fim dia na montanha, enquanto um fugaz Arco-íris se acende no horizonte.

AP

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Vídeos de Viagem


Alentejo
 
O Alentejo na Primavera. Bonito mas desertificado.


Andaluzia

A Andaluzia com os seus encantos, as serras e as planícies, Marinaleda terra de luta, Cadiz e a sua baía, Málaga, Torremolinos com as suas festas e Sevilha a grande. O trabalho e o campo, o que ficou dos muçulmanos. Tudo e a sua bandeira verde e branca. 

Tânger
 
Tânger em Marrocos. Uma cidade do norte de África.


António Pereira



sexta-feira, 19 de junho de 2015

Despertar no Bairro

Famoso pela vida boémia e algumas casas de fado, mas também pelos relatos de violência, excessos noturnos ou a prostituição de outrora, o Bairro Alto não costuma chegar até nós pelos melhores motivos. Mas nessas mesmas ruas habita uma comunidade de várias idades, origens e profissões que todos os dias se levanta e se deita, num dos locais onde a noite lisboeta acontece. Num passeio matinal, fomos conhecer algumas pessoas deste bairro.

"Para mim, o mais difícil era adormecer. Acordar sempre foi um sossego."
Sr. Agostinho – Padaria “Os Bolos”

Subindo a Rua do Norte às 7H30 da manhã, o comércio está ainda fechado. Cruzo-me com o Sr. Humberto do talho, que distribui peças de carne pelas casas do bairro. O camião do lixo termina a recolha. Bárbara, caminhando misteriosa e de poucas palavras, chega a casa depois de uma noite de trabalho, enquanto escreve mensagens no telemóvel. Bato à porta d'Os Bolos, nome pelo qual já conhecia esta padaria no topo da Rua da Rosa. Está aberta todo o dia e toda a noite. O Sr. Agostinho, ribatejano, trabalhador de camisa de cavas branca e braços tatuados conta-nos que faz pão de dia e de noite, há 33 anos. "Hoje rendi de madrugada e só saio daqui ao final da tarde." Diz orgulhoso de si mesmo. Durante 15 anos viveu no prédio em frente à padaria e confessa: "Para mim, o mais difícil era adormecer. Acordar sempre foi um sossego. Mesmo nos tempos e que havia muita prostituição, o barulho era muito pouco durante a noite." A segurança nos últimos 10 anos tem sido também um problema, indica: "Hoje já não há respeito pela Polícia. Não têm medo deles. À noite já vi de tudo. Até já fizeram graffities aqui à entrada da padaria." Por estes motivos, mostra-se favorável à vídeo-vigilância e opina que o uso desta tecnologia pode melhorar a segurança de todos. Hoje é o seu dia de aniversário mas como prenda, oferece-me uma merenda folhada, ali mesmo cozinhada por ela, na panificadora. As ruas do Bairro durante esta manhã fresca de Outono continuam a padecer de uma estranha normalidade, para quem possa estar mais habituado à copofonia noturna.


Tempos de Outrora

“Antigamente as manhãs tinham outra graça! Acordava com os jornaleiros, os vendedores de rua dos figos da capinha rota e as lavandeiras de Caneças que todos os dias nos limpavam a roupa. Ah, e os ardinas! Por vezes até via jornais a voarem das mãos deles para as varandas do terceiro andar.” Dona Maria da Pensão Atalaia.

Dona Maria Dominguez, proprietária da Pensão Atalaia costuma trabalhar durante a noite. Sai do serviço às 9H30 da manhã e a esta hora dirige-se à leitaria de esquina na Rua da Atalaia para comer algo antes de dormir. Com o vagar da idade vejo-a entrar apoiada no balanço da bengala. Senta-se e depois de introduzida na conversa pelo dono da leitaria, partilha esperançada o seu saber acumulado em 70 anos de vida e de trabalho no Bairro Alto. “Antigamente as manhãs tinham outra graça! Acordava com os jornaleiros, os vendedores de rua dos figos da capinha rota e as lavandeiras de Caneças que todos os dias nos limpavam a roupa. Ah, e os ardinas! Por vezes até via jornais a voarem das mãos deles para as varandas do terceiro andar.” Relembra com saudades de outrora. “As manhãs de hoje são mais calmas” aponta, em oposição à vida do antigamente. Mãe, avó e bisavó, Dona Maria está preocupada com o futuro das próximas gerações. Da janela de sua casa ou da receção da sua pensão espreita pela janela para ver o que se passa nas ruas do Bairro Alto durante a noite. “As raparigas agora são as piores! Bebem mais do que os rapazes.” Fala do seu neto como exemplo, jovem de 20 anos que várias vezes depois de beber um copo na noite, prefere dormir em casa da avó, em vez de conduzir embriagado até à Margem Sul do Tejo, onde reside. Mas conta também que já ela mesma sofreu situações incómodas de assédio por parte de jovens embriagados nas noitadas, ao entrar e sair do seu trabalho, a Pensão. Também aponta a alimentação dos dias de hoje como um problema que pode afetar os jovens. “Já não comem a comida feita com a dedicação de uma avó ou de uma mãe, apenas querem hambúrgueres. Assim os jovens não crescem da mesma forma”. No Bairro Alto contudo pode encontrar uma série de bons locais para comer refeições que o irão satisfazer. Por exemplo na área da gastronomia tradicional recomenda-se o Pap'Açorda ou o Bota Alta, na comida oriental o Ghandi Palace ou o Calcutá, na world-fusion o Sul, ou a quem preferir os pratos japoneses indica-se o Novo Bonsai. Os habitantes locais sentem melhorias na qualidade do seu descanso desde que os bares passaram a fechar às 2H da manhã. Mais recentemente, às 3H nas noites de sábado e domingo. Apesar de tudo, adormecer continua difícil e esse é um ponto de acordo entre os locais com os quais conversámos. A conversa acabou hospitaleira, como não podia deixar de ser com a dona de uma Pensão, e a Dona Maria ofereceu-me um café, antes de seguir caminho.

"Bom Dia!" de Franck Grenier - Licença CC BY-ND 2.0


Ruas Limpas

Os riscos nas paredes podem ser piores mas os graffities bem feitos até acho bem.” Sr. José, varredor, funcionário da higiene urbana.

Durante as noites ébrias deste bairro da cidade são dispensados milhares de copos de plástico. José é um dos trabalhadores que os varre durante o dia. Jovem de 30 anos que vem todos os dias da Damaia para o Bairro Alto. Aqui trabalha há um ano e desde que começou, já nota diferenças no volume de sujidade que encontra pela frente em todas as suas jornadas. “Desde há poucas semanas quando proibiram as lojas de conveniência, já não se veem garrafas de vidro no chão das ruas. Assim e melhor, agora são só copos de plástico.” Entra no emprego às 7H e varre as ruas durante a manhã com outros dois colegas, desde o topo do Bairro Alto, junto à Rua de São Pedro de Alcântara até ao Largo do Camões. Os graffities são habitualmente considerados pelas autoridades um problema de poluição visual, mas quando questionado sobre este tema, José mostra-se à vontade: “Os riscos nas paredes podem ser piores mas os graffities bem feitos até acho bem.” Aprova os murais que conhece na Damaia na Cova da Moura, junto a onde mora. “Essas pinturas trazem cor à área.” Deixa a sugestão que talvez pudessem fazer o mesmo no Bairro Alto: legalizar algumas paredes onde possam seja possível pintar esses murais. Nas paredes de várias ruas do Bairro Alto, nota-se o trabalho das brigadas anti-graffity que a Câmara Municipal de Lisboa – CML tem financiado. Além de várias paredes sem pinturas e tags, esta última a assinatura de cada pessoas que pinta murais, é patente o trabalho que as brigadas têm levado a cabo. Até se veem limpas, as lajes e pedras que revestem as portas de rua dos antigos prédios do Bairro Alto. Os posters de evento, festivais e marcas que habitualmente invadem as fachadas dos prédios são cada vez menos, indica José. Agora existem placards próprios colocados pela CML que têm reduzido a poluição visual. Para saber mais sobre a sua profissão, José sugere-me falar com Rute, também varredora de rua. Ela é jovem e pratica o ofício há pouco tempo. Confessa que é agradável para ela trabalhar naquele bairro. Sobre a abastada quantidade de copos que todos os dias encontra pela frente, desabafa: “Quanto mais lixo houver, melhor para mim... mais horas extra recebo!”.


O Bairro

Nessa altura, apesar da má fama, os clientes eram mais educados. Dantes a segurança era melhor.” Fernando, co-fundador do estabelecimento “Pérola do Oriente”.

Atualmente apenas duas mercearias continuam em funcionamento no bairro. Já a Dona Maria contava saudosista que vários estabelecimentos de comércio tradicional fecharam nas últimas décadas, dando lugar a casas de diversão noturna. Em funcionamento há 28 anos, a “Pérola do Oriente” na Rua da Rosa é um dos locais onde ainda podemos comprar produtos frescos durante o dia. Estabelecimento de dois irmãos, e mais conhecido por isso por “Os Irmãos”, divide-se entre um café e uma mercearia. O café, já preenchido de afluência pelas oito da manhã, é separado por vidros interiores da mercearia, onde com mais calma se pode conversar com um dos empreendedores. Fernando conta que ali está naquela área da cidade há 28 anos e tem assistido a muitas mudanças. Quando questionado sobre a insegurança no Bairro Alto, dá-nos o exemplo dos anos 80 de quando aquelas ruas eram muito rotinadas por prostitutas, durante a noite. “Nessa altura, apesar da má fama, os clientes eram mais educados. Dantes a segurança era melhor.” Ali trabalha durante o dia: entre às 7H e sai às 20H e assim evita as horas notívagas de maior azáfama. A meio da manhã pelas 10H30 ficam para trás as ruas do Bairro Alto. Várias lojas de roupa, calçado e discos estão ainda por abrir, à tarde. Ao caminhar diante o jornal “A Bola” os repórteres discutem a atualidade desportiva e as suas tarefas vespertinas. Dos restaurantes, já de portas entreabertas, emanam inebriantes os aromas da gastronomia portuguesa, que serão depois servidos ao almoço.

Área histórica da capital portuguesa, o Bairro Alto é frequentado de noite e habitado de dia. Aqui se encontra a boémia noturna mas também uma vida própria diurna, recheada de histórias e vontade de as partilhar.


João A.

domingo, 3 de maio de 2015

Festa berbere

O luar iluminava a nossa marcha silenciosa pelo apertado caminho, de argila seca e de pedras soltas. Sentiam-se os aromas de ervas de montanha, queimadas do fim do Verão, e tudo o que se ouvia era o gorgolejar do pequeno riacho do vale e um grilo aqui e acolá. De tempos a tempos parávamos, para distinguir algum outro som, mas nada, ainda não se ouvia mais nada.
Segundo Ahmed, as quatro ou cinco aldeias berberes ali perto eram a única presença humana nos cumes desta zona do Atlas marroquino, acessíveis apenas por caminhos de cabras. Era uma delas que procurávamos.

Horas antes, o jovem pastor berbere passara com o seu rebanho pelo lugar onde havíamos montado as tendas, no sopé de uma das montanhas, perto de uma cascata. Talvez porque lhe despertámos curiosidade – afinal, éramos estrangeiros – não resistiu a convidar-nos para o casamento que nessa noite se celebrava num dos povoados.



Ahmed não tinha a certeza sobre qual das aldeias estava em festa, mas ao fim de umas horas de caminhada no escuro, escutámos por fim os sons alegres de celebração. Seguimo-los. Pouco depois, um pequeno conjunto de casas claras com luz de fogo dentro rompeu a escuridão, ao mesmo tempo que chegava até nós a melodia de um coro de vozes masculinas e o ritmo de tambores, cada vez mais próximos.

Ao entrar na aldeia, vimos um círculo de homens apoiados nos ombros uns dos outros à volta de cinco ou seis mulheres de várias idades. Dançavam e cantavam uma melopeia repetitiva, de túnica e chapéu muçulmano, alguns de turbante. Mergulháramos noutra realidade, ou tempo. Era difícil de conceber que ainda houvesse um mundo de asfalto e postes elétricos lá fora.
Uma luz fraca mas quente dourava a festa, no espaço comum da aldeia. A agitação dos homens, que iam girando num círculo coeso e percutindo nos tambores de pele de camelo, contrastava com as figuras estáticas das mulheres, sentadas no centro, vestidas de cores claras e de olhar firme. Uma delas tinha uma renda branca a cobrir-lhe a cara, talvez a noiva.
Nós, convidados acidentais, éramos alvo de olhares discretos e curiosos, mas o ritual seguiu como se não estivéssemos ali.
Num impulso, misturámo-nos. Entrámos para a roda dos homens, os nossos ombros nos deles, girando e imitando-os nos cantos. O ambiente tornou-se mais sorridente.

Pouco depois, alguns de fora do círculo conduziram-nos, gentis, para dentro de uma das casas brancas e simples, iluminada por velas que traziam nas mãos e mostravam os tapetes de cores vivas, a única mobília. Sentámo-nos em roda e veio chá e mel das montanhas. Falavam-nos em berbere e respondíamos em francês simples com duas ou três palavras de árabe. Não nos compreendíamos exatamente, mas ninguém pareceu importar-se. O ritual continuava lá fora, desta vez reservado aos participantes originais.

Já noite densa e decidimos voltar ao acampamento, havia que encontrar o caminho de volta. Entrámos de novo no escuro, e o coro e os tambores foram ficando para trás, muito para trás, assim como os nossos anfitriões, o mais recente casal berbere das montanhas do Atlas marroquino.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Parabéns à Madalena

Fonte: Site da Casa da América Latina
A propósito da participação da Madalena, membro da Portuguese Riders Crew, no stand da Casa América Latina na Bolsa de Turismo de Lisboa 2015. Parabéns!

[Testemunho de Madalena, participante na partilha de experiências “Eu fiz o Mochilão na América Latina”, promovida pela CAL na Bolsa de Turismo de Lisboa]

“El Salvador, estás maluca?!”


Já se passou mais de um ano desde que sai de El Salvador e se alguém me pergunta algo simplesmente não me calo de emoção. Quando parti para a minha viagem pela América Central ia 100% segura que jamais passaria por El Salvador. Fora de questão! Claro que como em tudo na vida as surpresas aparecem sempre quando menos esperamos.

Estava numa noite relaxada no dormitório de um hostel em Antíngua quando recebo um email a dizer: “Vê lá que por aí onde andas há um surto de dengue…” Não tinha visto notícias, nem ouvido falar de nada então decidi informar-me perguntando alto: “Alguém sabe se aqui perto há um surto de dengue?” Três cabeças espreitaram lá do alto dos beliches e disseram: “Há sim, nas Honduras.” “Acabei de vir de lá e a coisa não está boa.” Isto não eram boas notícias, havia que fazer um ponto de situação e repensar os próximos passos. Honduras não seria boa ideia, assim sendo só restava uma opção El Salvador. E agora? Vou? Não Vou?!


Foto de Madalena - Creative Commons BY-NC-ND License


















Ao longo da viagem fui conhecendo pessoas que lá tinham ido e todas sem excepção adoraram. Mesmo assim, não sabia. As dúvidas persistiam. É curioso porque este país mudou muito nos últimos anos mas os viajantes têm dificuldade em acreditar que a sua experiência tenha sido real, dizem-nos: “não sei se tive sorte mas a mim não me aconteceu nada e adorei.” Vistas as opções e a situação pensei: seja o que tiver de ser…

A chegada não foi fácil, um país onde o turismo é escasso a informação não abunda. Sabia que havia um festival gastronómico e decidi apontar nessa direcção e com receio lá fui em direcção ao temido e desconhecido El Salvador.

Os primeiros autocarros não são muito fáceis, parecemos um E.T. as pessoas olham demasiado para nós o que pode ser desconfortável. Até que alguém toma a iniciativa e fala connosco. Estes são apenas olhares de curiosidade, de estranhar uma rapariga sozinha de mochila às costas por aqui, de onde vem? Para onde irá?

Escolhi por acaso o hostel Casa Mazeta onde fui recebida como se da minha família se tratasse. Em plena ruta de las flores encontrei o local a que chamei casa por um mês e meio. Em Juayúa todos os fins-de-semana há um festival gastronómico com várias especialidades, onde um prato com vários tipos de carne, batata, arroz, salada, camarão e outras iguarias bem saborosas nos custa apenas 5 dólares. Juntamos a boa música ao entretenimento, à alegria dos salvadorenhos e temos um prato cheio. Perto de Juayúa fica Concepción de Ataco, uma pequena vila com murais coloridos pintados nas casas que nos dão a sensação de andar a passear por um verdadeiro desenho animado. Uma vez por ano, em Setembro, cumpre-se uma tradição com mais de 200 anos, todas as casas e ruas de Ataco enchem-se de farolitos que iluminam com velas as suas ruas é o festival Los farolitos de Ataco. Fazem-se uns passeios pelas fincas de café, descendo sete cascatas pela floresta e a nossa passagem por este encantador país torna-se inesquecível.

Por tudo isto digo sempre: Vão a El Salvador! Mais que a gastronomia, as cores, a música, os vulcões, as praias da América Latina, El Salvador, são as pessoas. Boa gente que te diz um Hola com um sorriso, que atravessa uma cidade apenas para te ajudar, que se aproxima para saber de ti, do teu país e se gostas do seu, que quer praticar o seu inglês e deixar sempre uma mensagem de boas vindas: Que desfrutes El Salvador!

É assim que o que mais parecia uma loucura descabida passou a ser uma experiência inesquecível, a receita foi simples tal como em todos os países vizinhos há que ter cuidado, seguir as regras e o bom senso, mas mais que tudo há que abrir as portas a conhecer um novo mundo e desfrutar de El Salvador.